como não travar na escrita

Minha técnica de escrita para não travar diante da tela em branco do Word.

Quem nunca teve um bloqueio criativo na hora de escrever um texto? Você encara a tela em branco, com o cursor piscando e as ideias simplesmente não aparecem! O que fazer nessa hora?

Neste artigo, eu compartilho com você as minhas técnicas de escrita para evitar essa situação.

 

Por que travamos na escrita?

 

Se você vai escrever um texto é porque já sabe alguma coisa sobre o assunto, certo? Mas, então, por que travamos?

O bloqueio geralmente surge porque a gente não sabe por onde começar o texto: Qual ideia eu uso primeiro? Com que palavra começar? Nós queremos escrever o texto em sua versão final desde o início. Queremos a perfeição já de cara. E isso trava porque é assustador!

Por isso, a primeira coisa da qual a gente precisa abrir mão é do perfeccionismo. Nenhum texto nasce pronto. Ele vai ficando pronto conforme a gente escreve, revisa, apaga, reescreve…

As dicas aqui levam esse processo em consideração.

1. Comece a escrita com um brainstorming

O braistorming é uma técnica que consiste em tirar tudo da cabeça, sem julgamentos nem críticas.

Como eu faço? Eu anoto num quadro branco, todas as ideias que eu tenho sobre o que quero escrever naquele texto. Você pode fazer isso numa folha de papel. O importante é anotar livremente e sem filtro, tudo o que te vier à mente sobre o assuntoo que você quer escrever.

Não se preocupe em hierarquizar as ideias. A escrita aqui é livre!

2. Selecione as melhores ideias

Depois de “esvaziar a mente”, agora é a hora de peneirar.

Selecione as ideias que você achar melhores ou mais adequadas ao seu objetivo com o texto. Deixe as outras numa espécie de “banco de ideias”. Pode ser que você precise de alguma delas depois.

3. Crie uma estrutura de tópicos

Com as ideias que você selecionou no passo anterior, crie uma estrutura de tópicos. Essa é a etapa onde você vai criar uma hierarquia dos conteúdos: primeiro eu quero falar disso, depois daquilo e, por fim, disso aqui.

Essa estrutura de tópicos é o esqueleto do seu texto, é o que dá a estrutura e guia o seu movimento argumentativo ou narrativo. Não significa que você vai manter todos os tópicos na versão final. Significa apenas que você vai começar a escrever tendo uma direção.

Conforme você escreve, pode sentir a necessidade de unir 2 tópicos, eliminar algum ou acrescentar outro. Isso é normal e faz parte. Por isso, use a estrutura como direção, não como uma obrigação. Seja flexível para fazer as mudanças que o texto pedir.

4. Encha os tópicos com citações e escrita livre

Você já tem a estrutura, o esqueleto do seu texto. Agora, vamos encher de carne, ou seja, desenvolver esses tópicos. Para isso, você pode usar tanto as citações de outros autores quanto a escrita livre.

As citações são as referências que você colecionou ao longo da sua pesquisa para esse texto. Para escrever um tópico, você pode começar por escrever e comentar essas citações. Assim, você não parte do nada, do zero, na sua escrita.

Talvez, ao terminar o texto, você veja que uma ou outra citação não é mais necessária. Tudo bem. O texto é vivo e tem um movimento próprio. A citação já cumpriu o seu propósito aqui: instigar ideias.

Já a escrita livre significa exatamente o que o nome sugere: você vai escrevendo livremente. Desta vez, a escrita livre é aplicada aos parágrafos do seu texto. Se for um texto acadêmico, não se preocupe com a ABNT ou com escolher as melhores palavras. Apenas escreva o que te vier à mente.

Uma dica: se, durante a escrita livre, você perceber que precisa procurar a referência de um livro ou se as ideias para um parágrafo acabarem, mas você sentir que ainda precisa desenvolver mais aquele assunto, não interrompa o fluxo de raciocínio. Escreva essas pendências entre colchetes, no lugar onde elas têm que entrar no texto e destaque de vermelho (ou de uma cor bem diferente do texto). Assim, você não perde a sua linha de raciocínio, mas também não perde as ideias ou tarefas que forem surgindo conforme você escreve.

Aqui você pode ver o exemplo de um trecho da minha tese ainda na fase de escrita livre e com os colchetes vermelhos:

 

5. Anote as pendências numa lista de tarefas

Lembra dos colchetes vermelhos que você foi criando? Agora é a hora de transformá-los em tarefas, que você vai realizar quando não estiver no seu momento de fluxo. Os resultados que você produzir com essas tarefas vão te dar clareza sobre o que fazer e um ponto de partida para a próxima vez que você pegar o seu texto.

Você pode fazer uma lista em um caderno ou em um aplicativo. Escolha a ferramenta que mais te agrada e lembre de revisar a sua lista antes de retomar a escrita.

Usando o meu exemplo de tarefas tiradas dos meus colchetes ali de cima:

  • Criar um parágrafo sobre o exercício de rememoração dos princípios
  • Buscar as referências sobre a morte nas Diatribes – ver a dissertação
  • Construir o raciocínio de que, para eliminar o medo do tirano, é preciso tratar o medo da morte

Nesse ponto, eu posso sentir a necessidade de fazer um novo brainstorming, específico para levantar novas ideias para um assunto; um mapa mental ou um esquema para organizar as ideias. Talvez eu precise rever um fichamento, um artigo.

Da próxima vez que eu for escrever, já terei esses recursos que eu criei a partir das tarefas que ficaram pendentes. Novamente, não parto do zero.

6. Revise e atualize a lista de tarefas

Mais tarde ou num outro dia, volte ao texto com um olhar de edição. É a hora de ajeitar as coisas, ajustar a forma e deixar tudo redondinho. Essa também é um passo que pode ser dividido e feito por partes. Você pode escolher revisar um tópico inteiro ou um parágrafo.

Mas, seja como for, a sua visão para o texto é diferente. Aqui você vai lapidar o material bruto que você criou. Nessa hora, podem surgir novas tarefas: aprofundar um assunto, buscar novas referências, incluir uma citação. Então, a revisão atua junto com a etapa de pendências.


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Finalmente…

Parece um bocado de coisa, mas, na prática, isso me economiza um tempo enorme que eu gastaria olhando a tela em branco, esperando uma grande ideia surgir.

Mas você pode e deve adaptar essas dicas à sua realidade e ritmo de escrita. Teste e veja o que funciona pra você.

Agora, me conta: você usa alguma técnica de escrita para evitar bloqueios criativos? Deixa aqui nos comentários.

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Olá, eu sou a Fernanda!

Sou professora e doutora em filosofia, apaixonada por literatura. Mãe de gente, de pet e de planta. 

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