É redundante dizer que 2021 foi um ano difícil. Para o mundo todo, o Brasil e, pra mim, também. Mas, apesar de tudo, depois de quase 10 anos estudando os estoicos, eu trago comigo, para 2022, três atitudes estoicas que me ajudaram a navegar as águas turbulentas do ano passado e que me dão uma melhor perspectiva para encarar os desafios do novo ano.

 

1. Lembrar sempre que eu não posso controlar tudo

 

A saúde, tanto física quanto mental foi meu maior desafio em 2021. Mentalmente, era impossível ficar 100% bem ao ver os absurdos que aconteciam no Brasil e no mundo.

 

Para melhorar, entre outras coisas, descobri uma hérnia cervical, que me atrapalhou até nas tarefas mais simples. Escrever o capítulo da qualificação foi um desafio sem tamanho. Mas, depois de breves surtos reflexões, as palavras de Epicteto sempre me ajudaram a seguir em frente, ao lembrar que o controle total é uma ilusão.

 

Eu não controlo os acontecimentos, tampouco posso evitar todos os males que acontecem ao meu corpo. Mas posso cuidar dos meus pensamentos e agir dentro da minha esfera de possibilidades para que, tanto eu quanto o mundo ao meu redor possam ficar melhores.

 

Leia também:

> O estoico é uma pessoa passiva?

 

Das coisas existentes, algumas são encargos nossos; outras, não. São encargos nossos o juízo, o impulso, o desejo, a repulsa – em suma: tudo quanto seja ação nossa. Não são encargos nossos o corpo, as posses, a reputação, os cargos públicos – em suma: tudo quanto não seja ação nossa. (Epicteto, Manual 1.1)

 

2. Harmonia é o fundamento da vida

 

Em meio aos desafios, o processo de autoconhecimento tem sido fundamental. E com o autoconhecimento, uma certeza se tornou muito evidente: a de que estar em paz comigo e com o mundo é um caminho sem volta. Com isso, eu experimentei o quanto a clareza nos valores resulta em clareza de decisões e tranquilidade nos resultados.

 

2021 foi o ano em que me tornei vegana; o ano em que não só aprendi a me aceitar, mas a me amar como eu sou; o ano em que eu vi o quanto é importante cuidar do meu corpo e da minha mente para viver bem com as pessoas e o mundo ao meu redor, buscando deixar um legado positivo por onde eu passar.

 

Por isso, o fim supremo pode ser definido como viver segundo a natureza, ou, em outras palavras, de acordo com nossa própria natureza e com a natureza do universo (…). Nisso consiste a excelência do homem feliz, e o curso suave da vida. (Diógenes Laércio, Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres 7.88)

 

3. O meu tempo é o suficiente se eu souber usá-lo

 

Eu sempre vivi correndo de um lado pro outro. Mas, olhando pra trás, percebo que sempre estive ocupada, mas nem sempre fui produtiva. Menos ainda se pensar numa produtividade saudávelCom uma boa dose de organização e outra de Estoicismo, eu estou ressignificando o uso do meu tempo, para fazer o que quero e preciso, respeitando o meu ritmo. 

 

E, nesse ponto, o livro Sobre a brevidade da vida, de Sêneca, foi uma leitura fundamental.

 

Não temos exatamente uma vida curta, mas desperdiçamos uma grande parte dela. A vida, se bem empregada, é suficientemente longa e nos foi dada com muita generosidade para a realização de importantes tarefas. (Sêneca, Sobre a brevidade da vida 1)

Quer saber mais sobre o Estoicismo?

 

> Fiz um vídeo de introdução ao Estoicismo, partindo do zero.

 

> E, se quiser indicações de bons livros estoicos, é só conferir o post sobre a Biblioteca Essencial de Estoicismo.

 

E você, pratica alguma atitude estoica no seu dia a dia? Me conta nos comentários.

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Olá, eu sou a Fernanda!

Sou professora e doutora em filosofia, apaixonada por literatura. Mãe de gente, de pet e de planta. 

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